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Marcas

Nove horas de uma noite de fim de Verão na Plaza de l'Angel, uma praça barcelonence ali no cruzamento entre a Via Laietana e a Carrer Jaume I. Ia eu, sossegado da vida e a pensar com os meus botones, a caminho de um sítio da bela localidade catalã, quando ouço de uma de três meninas portuguesas que não merecem descrição e que ali conversavam alegremente a frase «Este é português, definitivamente» dirigida a mim. À medida que por elas passava, uma das que ouvia a tão convicta outra diz «Portugal», virando-se para mim em jeito de pedido de confirmação. Sorri apenas, seguindo o meu caminho sem nada dizer. Não queria, de maneira nenhuma, dar-lhes a satisfação de pensarem que sou assim tão transparente e, na verdade, nenhuma delas tinha, a meus olhos, argumentos que me pudessem convencer a parar.

Não deixei, no entanto, de ficar intrigado, admirado e preocupado com tamanha certeza na definição da minha origem. Afinal de contas, estava em Espanha, terra de gente mais ou menos como eu. Olhei para mim, de cima a baixo, na tentativa de perceber o que é que me denunciava tão eficazmente. E fiquei na mesma: a t-shirt que trazia vestida era Energie, as calças, Pepe Jeans, os ténis eram Diesel, os óculos, Etro, o sorriso Colgate, o perfume Davidoff e os caracóis Elvive. Nenhum elemento nacional, portanto. Nenhum galo de Barcelos estampado na testa. Tudo coisas que se encontram em Lisboa, em Barcelona, em Londres ou em Bielefeld.

Será a forma como ponho as mãos nos bolsos? Será o andar ginguinho? Terei aura lusitana?

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