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Não sem desencanto

Sentado, excepcionalmente, a almoçar em grande superfície comercial, dou por mim a ouvir as últimas tendências no que à moda das árvores de Natal diz respeito. Menina de porte bojudo, que afirmara, pouco antes, que os homens só lhe interessavam do pescoço para baixo (frase que registei com interesse, mas não sem desencanto — há coisas que as mulheres só devem dizer baixinho, seja qual for o seu porte), diz que há uma árvore preta muito gira, linda de morrer, na Área. Para descontentamento do seu porta-moedas, esta árvore combina às mil maravilhas com as (caras, diz ela) bolas prateadas que estas tão populares lojas de produtos para a casa disponibilizam aos seus fregueses. A amiga da bojuda menina, cuja voz se fazia ouvir menos distintamente, logo acrescentou que também ela tinha o seu cartão de débito fisgado na negra árvore até ao momento em que o destino — disfarçado de pai natal, digo eu — a colocou perante uma árvore azul, pela qual se apaixonou e na qual as mesmas bolas prateadas (caríssimas) ficam que é um regalo.
Eu, que sou do tempo (e do espaço) em que se usavam árvores sacadas do monte mais próximo, que cheiravam a resina, tinham o tronco castanho e caruma verde, por vezes até pinhas — enfim, eram pinheiros mesmo, pinheiros de verdade —, acho lindo que se discuta cores de árvores de Natal, que se escolha o preto, que se pague euros mil por isso e que se brade sem pudor no meio de praça de restauração de grande superfície comercial tamanho despautério. Até porque, se é de árvores pretas que se faz o Natal 2008, dados os incêndios que agora temos em Novembro, parece-me que não seria muito difícil arranjar uns pinheiros chamuscados na florestazinha mais próxima. Permitiria, pelo menos, que outra árvores crescessem no lugar dessas.
Mas isto sou eu a pensar, sempre optimista e cheio de boas ideias!

3 comentários:

Rita. disse...

Gosto da analogia das árvores queimadas com as árvores "modernas" de cores diversas. E não, não gosto de árvores negras, e não, não acho piada a modernices que de tão modernas não fazem sentido. E sim, gosto é do presépio da casa dos meus avós e do cheiro a musgo e a resina que por lá anda estes dias!

Carolina disse...

desencanto?
oh Caracol pensei que so encatasses!!

Cerejinha disse...

Árvore que é arvore tem de cheirar a resina e ter, pelo menos, vestígios de musgo no tronco.
:-)

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