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Ventrezinho tonificado

Diz-me, calipígia menina de seios túrgidos enquanto passa os dedos fagueiros pelos meus caracóis, que o uso recorrente que faço do vocativo miúda não é elegante nem particularmente apreciado pela comunidade feminina.
Encosto a cabeça no tonificado ventre da calipígia menina, para aproveitar a sombra proporcionada por tão belamente intumescidos peitos, que os meus caracóis roçam eriçados, e returco que o uso que faço do vocativo miúda é, mais do que recorrente, carinhoso. Explico que a notada recorrência, a existir, se aplica apenas a meia-dúzia de interlocutoras pelas quais tenho estima exacerbada. E termino timidamente: – Acaba por ser uma forma, talvez deselegante, de vestir esse tão mal disfarçado amor de casualidade, alguma distância e um certo charme. Entendes miúda?
Percebo no meio sorriso da calipígia menina que, apesar de desamuada, não estava convencida. E acrescento:
– É, também, uma forma de combater as minhas cada vez mais frequentes instâncias de afasia nominal. Usando tão bem amanhado vocativo não terei de me debater com a hesitação decorrente da inexorável necessidade de procurar o nome da pertinente colucutora na minha decrépita memória.

2 comentários:

Rita. disse...

Estes textos são fantásticos.

Cheguei aqui por acaso, mas não resisti e li tudo! (quer dizer, a verdade é que as partes sobre bola li na vertical...)

São ao mesmo tempo, sarcásticos, cómicos, quase camilianos ou será mais queirosianos... são fabulosos! Parabéns!

caracol perfumado disse...

Coro perante tão elogiosos mimos, Rita. Não os mereço, mas gosto de os ler. Obrigado

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