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Porta-luvas

Há um senhor, cujos cabelos brancos cobrem cada vez menos a cada vez mais luzidia escalpe, que costuma estacionar o seu Mercedes Classe E nos recortes construídos para o efeito em frente do prédio onde moro.

– Coisa natural, – dirá a cara leitora num assomo de irritação,  como tu próprios dizes, caracol, os recortes foram construídos para o efeito.

Não se assanhe, a cara leitora. Deleite-se com esta simplíssima prosa e guarde a sua impaciência para momento menos prazenteiro, que eu ainda não acabei. Antes de sair do seu Mercedes Classe E aparcado nos recortes construídos para o efeito, o encanecido senhor põe, no banco do pendura, uma mica com uma folha A4 que diz, em letras maiúsculas, «Neste veículo não existem objectos de valor». Depois sai e fecha a porta, deixando sempre o porta-luvas aberto e dois a três livros no banco de trás.

Esperará agora, a cara leitora, que eu escrevinhe um comentário sobre tão singular comportamento. Pois bem, com pena, não o vou fazer, uma vez que não sei o que achar disto. Fica o relato desapaixonado de um uso que se me apresenta curioso.

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